7 de dezembro de 2019

POLICIAIS DO 1º DP DE CAMPINAS IDENTIFICAM ESTELIONATÁRIOS DO SUL DO PAÍS QUE INVADIRAM O CENTRO DA CIDADE PARA APLICAR GOLPE DO BILHETE PREMIADO E VÍTIMA RECONHECE “LOIRA BEM-APESSOADA”

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Um grupo formado por homens e mulheres provenientes do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina aplicou o golpe do bilhete premiado em idosos durante os meses de março a setembro deste ano de 2019 no Centro de Campinas, segundo investigação feita pela Polícia Civil.

Uma mulher do município de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, identificada como Cátia P., de 34 anos, poderá ser indiciada no 1º Distrito Policial de Campinas por crime de estelionato. Essa mulher, seu marido e dois comparsas já respondem a inquérito policial no Sul em 2018 por crimes de estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Em Campinas, Catia foi reconhecida em fotografia por uma dona de casa , de 78 anos de idade, vítima do golpe em agosto, como “a loira bem-apessoada” (com boa apresentação, fala educada e que vestia roupa social) que a convenceu a sacar dinheiro e e entregar para dois homens.

A idosa teve um prejuízo de R$ 1 mil e foi abordada na Rua Barão de Jaguara às 11 horas do dia 29 de agosto.

Ela foi abordada por um homem que alegava ser analfabeto e que tinha um prêmio da Mega Sena para receber. Em seguida surgiu a mulher loira vestindo roupa social e muito educada, como descreveu posteriormente a idosa, que se prontificou em ajudar e “atestou” que o bilhete era “verdadeiro” e previa um prêmio superior a R$ 1 milhão.

O homem prometeu dar uma recompensa para a idosa e para a outra mulher caso fossem receber dinheiro. A loira convenceu a moradora de Campinas a fazer saques no caixa eletrônico e entregar a “garantia” para o homem.

Em seguida, pediram para a idosa aguardar em frente a uma agência bancária e desapareceram.

A fotografia do marido de Catia, também mostrada à idosa, não foi reconhecida.

Nesse período de seis meses foram registrados pelo menos 15 boletins de ocorrência no 1º Distrito Policial – as vítimas são pessoas de 60 a 78 anos, a maioria mulheres, e cujo prejuízo de cada uma foi em média de R$ 1 mil a R$ 2,5 mil.

O delegado Hamilton Caviolla Filho, titular do 1º DP, porém, acredita que o número de vítimas e o valor arrecadado com os golpes são bem maiores.

“Muitas pessoas não procuram a Polícia para prestar queixa, por constrangimento. Por isso, esse total de boletins de ocorrência não representa a quantidade de golpes aplicados e nem o valor arrecadado por esses estelionatários”, disse o delegado.

O Setor de Investigação do 1º DP criou uma equipe para apurar a atuação desses estelionatários.

São três investigadores: Guilherme que fez a triagem dos boletins de ocorrência, Douglas e Rodnei que conversaram com vítimas e fizeram um álbum digital com fotos de pessoas presas por estelionato nos Estados de São Paulo, Santa Cataria e Rio Grande do Sul.

“Conversando com as vítimas descobrimos que os autores de muitos dos golpes tinham sotaque sulista. Fizemos levantamento de prisões nos estados do Sul e conseguimos construir um álbum de fotografias obtidas nas redes sociais”, disse o investigador Douglas.

Foram identificados também durante as investigações pelo menos quatro homens moradores em Rio Claro, município distante 85 quilômetros de Campinas, como responsáveis por golpes também no Centro de Campinas.

É uma nova geração de estelionatários, conforme identificaram os investigadores. São pessoas com idade que varia de 28 a 45 anos. Eles sabem que podem estar sendo filmados por câmeras de segurança de comércios e, por isso, preferem agir rápido com as vítimas e optam por quantias em dinheiro que podem ser sacadas em caixa eletrônico.

No passado, vítimas ficaram horas em poder dos golpistas e faziam até saques de valores altos em bancos. Para não “correr o risco” de  o golpe não dar certo, os estelionatários pegam pequenas quantias, porém, atacam um maior número de pessoas.

A partir de setembro, as queixas desse tipo de crime não foram mais registradas o que leva a Polícia a acreditar que as quadrilhas foram embora – mas há suspeitas que outras vítimas resolveram ficar com o prejuízo e no anonimato.

“Convidamos as vítimas para comparecer aqui no Setor de Investigação onde mostramos as fotos. Assim, conseguiremos o maior número de reconhecimentos e será possível formalizar o indiciamento e pedir à Justiça a prisão dessas pessoas”, explicou o delegado.

O 1º DP fica na esquina da Rua Sebastião de Souza com Avenida Andrade Neves, no bairro Botafogo. As pessoas que foram vítimas desse golpe podem procurar os investigadores que o assunto será tratado em sigilo e em sala reservada.

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