29 de fevereiro de 2020

POLÍCIA CIVIL DIZ QUE FOI UM GUARDA MUNICIPAL, “QUE PENSOU QUE SERIA ASSALTADO”, O AUTOR DO TIRO (COM UMA ARMA PARTICULAR)QUE PROVOCOU A MORTE DO NETO DO RADIALISTA BAMBUZINHO

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“O Gustavo  queria voltar para casa e, então, foi para o meio da avenida e pulou na frente do carro dirigido pelo guarda municipal, simulando uma arma de fogo. O guarda pensou que seria assaltado, e, então para defender e efetuar a prisão em flagrante o guarda acabou atirando sem entretanto fazer visada da arma de fogo, tanto é que ele relata que não percebeu que havia atingido alguém. Ele alegou legítima defesa”.

A declaração é do delegado Rui Flavio de Carvalho Pegolo (foto), da DHC (Delegacia de Homicídios de Campinas) ao informar, nesta segunda-feira, 3 de fevereiro de 2.020, que a Polícia Civil esclareceu que foi um guarda municipal de Campinas o autor do tiro que atingiu a cabeça (na parte de trás, a bala ficou alojada)e provocou a morte de Gustavo Henrique da Silva, de 26 anos. Ele usou uma arma particular e fez três disparos, segundo a polícia.

Depois dos tiros, o guarda  – que está em férias – foi embora para casa, não comunicou o fato nem à seus superiores da Guarda Municipal e também não informou à Polícia Militar.

O acusado somente prestou sua versão e admitiu ter atirado uma semana depois quando foi identificado pela Polícia Civil (os investigadores consultaram as placas do carro, descobriram que pertencia a um guarda municipal e ele foi convocado a depor na Delegacia de Homicídios)

O rapaz era filho do empresário José Carlos da Silva Júnior, o Juninho, que já foi secretário de Cultura nas prefeituras de Sumaré e Hortolândia, e, era neto do radialista e humorista Bambuzinho (que morreu em julho de 2.019 em Campinas).

O crime aconteceu no dia 27 de janeiro de 2.020 na Avenida José de Sousa Campos, a Norte-Sul. A versão inicial era que o rapaz havia sido assaltado e, depois, foi baleado.

Porém, as investigações esclareceram, segundo o delegado, que entre a noite de 26 e a madrugada de 27 de janeiro, o rapaz esteve em duas casas noturnas onde gastou em trono de R$ 580. Ele teria consumido bebida alcoólica. Como  não tinha mais limite no cartão para pagar a conta, Gustavo deixou a carteira com documentos e o celular como “garantia” de retornar para o pagamento, conforme versão da Polícia.

Ao sair foi até um posto de combustíveis, na avenida, onde telefonou para um amigo, contou que tinha sido assaltado e pediu ajuda. Porém, não ficou no posto à espera do amigo como combinara durante a conversa por telefone.

O delegado disse que conseguiu imagens de câmeras de circuitos de segurança de empresas da avenida que mostram o rapaz no meio da avenida tentando parar carros.

“Ele abaixa, pega algo no chão, coloca dentro da camisa e depois vai em direção a um veículo Honda”, contou o delegado com base nas imagens.

Conforme o policial, o guarda acreditou que seria assaltado e reagiu a tiros.  O rapaz correu e foi baleado pelas costas. Caiu em um barranco onde foi encontrado, sem vida, às 9h30, ou seja, quase seis horas depois.

A Polícia Civil informou que o acusado se apresentou para prestar depoimento e não possui antecedentes criminais. Por isso, vai responder inquérito em liberdade.

A Secretaria Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública de Campinas, responsável pela Guarda Municipal, informou, por intermédio de uma nota, que está apurando o caso.

As investigações prosseguem para apurar alguns pontos: depois dos disparos o guarda alega ter ido embora para casa “sem saber” se havia atingido alguém.

Como agente de segurança, ele deveria ter comunicado a Guarda Municipal e a Polícia Militar, informado que sofreu uma tentativa de roubo, que reagiu a tiros e que não tinha certeza se o tiro havia acertado o suposto assaltante.

Essa comunicação serviria para a PM ou a Guarda promoverem buscas no local. Se era mesmo um assaltante que conseguiu fugir sem que fosse baleado a comunicação do guarda evitaria que o ladrão fizesse outra vítima na fuga.

A comunicação do guarda iria permitir que a pessoa baleada fosse socorrida a uma unidade de saúde. É preciso, por exemplo, saber, por avaliação médica, se é possível prever que em caso de um atendimento pouco tempo depois do ferimento produzido pelo disparo a vítima teria chance de sobreviver.

Outro ponto a ser esclarecido é: se o guarda desembarcou do carro para reagir ao que ele entendeu como um ataque de um assaltante  e fez os disparos, qual seu argumento para informar que “não sabia” se os tiros atingiram o “assaltante”.

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