29 de fevereiro de 2020

Mulher assassinada por queimadura pelo ex companheiro, que também morreu,em Campinas, tinha sido vítima de violência do primeiro marido

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Nice Romualdo Vieira, de 53 anos, que morreu queimada pelo ex companheiro Moacir Zanella, de 51, dia 27 de fevereiro deste ano de 2019, em Campinas, já tinha sido ameaçada de morte, de ser agredida fisicamente e de ter a casa e o carro incendiados há 13 anos pelo seu primeiro marido, com quem viveu 20 anos e teve dois filhos.

Por duas vezes, em 2006 e em 2007, ela registrou boletim de ocorrência em Delegacias da Polícia Civil de Campinas,  onde o seu primeiro marido foi acusado de ameaça e injúria com base na Lei Maria da Penha.

Na primeira queixa, ela relatou que “constantemente há discussões” entre o autor e ela “por motivos de ciúmes” dele. Foi no dia 28 de abril de 2006. O primeiro marido de Nice – na oportunidade eles estavam separados havia dois meses – a expulsou de casa e a ameaçou de morte, inclusive querendo agredi-la.

Na segunda queixa registrada contra seu primeiro marido, em 28 de agosto de 2007, Nice informava à Polícia que seu, então, ex-marido, “não aceitava” que ela “esteja namorando outro homem e por este motivo ameaçou-a de morte, bem como lhe disse que irá queimar a casa onde ela mora e o carro que ela ganhou do seu namorado” .

Naquele mesmo dia, o acusado também dirigiu palavras de baixo calão e ameaçou um dos filhos do casal.

Naquela época, Nice tinha 40 anos de idade e seu, então, primeiro marido, tinha 53.

Nos dois casos, Nice foi orientada a formalizar uma representação, ou seja, pedir oficialmente que a Polícia Civil instaurasse inquérito contra o acusado.

Depois desses fatos não há registros oficiais de outras  importunações do primeiro marido de Nice, contra ela ou contra os filhos.

A vida “andou”. Ela e os filhos continuaram a morar na Rua Socorro, no Jardim Novo Campos Elísios.

Nice entrou há três anos no relacionamento com Moacir, um comerciante, que viria a ser seu assassino. Não casaram “no papel”, porém, viveram juntos. Não tiveram filhos.

Eles abriram, como sócios, uma loja de roupas e outros produtos na Avenida João Prata Viera, 526, no Parque Vista alegre, bairro localizado no Distrito do Ouro Verde.

Esse, também, foi o local do crime.

Dezesseis dias antes de ser assassinada, exatamente em 11 de fevereiro deste ano de 2019, Nice foi ao Plantão da 2ª Delegacia Seccional da Polícia Civil e prestou queixa contra Moacir.

Ela disse que estavam há um mês separados e que o comércio “está sendo motivo de problemas”.

Ela também informou que Moacir telefonou e disse que iria mata-la.

O mesmo boletim de ocorrência registra que Nice “não deseja ser abrigada”. Que foi cientificada das medidas protetivas de urgência legais, porém, “não as requer no momento”.

E que foi orientada a comparecer na Delegacia da Defesa da Mulher para ofertar representação de crime de ameaça.

Às 14h30 do dia 27 de fevereiro de 2019, Moacir foi até a loja com um galão de gasolina. Fechou a porta do estabelecimento. Jogou o combustível na mulher, e, também no próprio corpo e ateou fogo.

Não há testemunha que possa descrever como essa situação aconteceu. Porque Nice não conseguiu fugir do local.

A Polícia Militar descreve o que encontrou ao chegar no local: “a vítima estava deitada no chão e falava: Foi o Moacir… foi o Moacir”. O autor estava sentado no chão e logo desmaiou.

Pessoas que estavam no local gravaram imagens, com celular, que mostram o autor do crime sem camisa, queimado, e proferindo palavras desconexas como “não socorre ela não”. As imagens mostram também, Nice caída na calçada com o corpo queimado.

Emissoras de televisão e redes sociais divulgaram essas imagens.

Ela sofreu queimaduras em 82% do corpo e foi levada por um helicóptero da PM até o Hospital de Clínicas da Unicamp onde morreu às 19h10.

O autor do crime foi levado, em estado muito grave,  para o Hospital e Maternidade Celso Pierro e depois transferido para o Hospital Irmãos Penteado onde morreu na noite deste de 1 de março de 2019.

Nice nasceu no município de Brasiléia, no Acre, em 11 de agosto de 1.965. Ela morava há pelo menos 20 anos em Campinas.

Moacir nasceu em Xanxere, Santa Catarina, em 2 de outubro de 1.967.

As fotos aqui publicadas foram reproduzidas de reportagem exibida pela TVB Record de Campinas.

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