7 de dezembro de 2019

AJUDANTE DE PEDREIRO QUE COMPROU CARRO PELA INTERNET SEM SABER QUE O VEÍCULO ERA FURTADO É ASSASSINADO A TIROS NA PORTA DE CASA PELO DONO DO AUTOMÓVEL

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A Delegacia de Homicídios de Campinas esclareceu que o ajudante de pedreiro Lucas César do Nascimento, de 49 anos, foi morto com um tiro no rosto, na porta de sua casa, pelo proprietário de um carro Gol que ele (Lucas) e um dos filhos compraram através de um anúncio em um site de vendas. No momento do negócio, eles não sabiam que o carro tinha sido furtado. O assassinato aconteceu quando o dono do veículo tentava recuperá-lo.

As investigações da Polícia Civil identificaram o acusado de ser o autor do tiro (um pintor de paredes de 33 anos) e o homem (um vendedor de 31 anos) que levou até o local do crime. Esses dois foram indiciados em inquérito policial por homicídio e tentativa de homicídio. A tentativa foi contra um dos filhos de Lucas, o do meio, um rapaz de 29 anos, que teve a arma apontada para a cabeça.

Foram identificados também pela Polícia um motorista autônomo de 36 anos acusado de ter furtado o veículo e um motorista de aplicativo de 33 anos apontado como o responsável pelo anúncio no site e a venda do carro. Esses foram indiciados por furto, receptação e estelionato.

“A Polícia Civil reuniu provas suficientes e dá o caso como esclarecido”, informou o delegado Ruy Flávio de Carvalho Pegolo, da Delegacia de Homicídios.

O inquérito foi encaminhado para a Justiça e os quatro acusados aguardam em liberdade a decisão do processo.

Clique e ouça o delegado:

O crime aconteceu na noite de 23 de agosto deste ano de 2.019 na Rua Dois, 114,(foto) no Conjunto Habitacional Vila Réggio, localizado perto da Vila Boa Vista, no Distrito de Nova Aparecida.

Lucas e o filho compraram o Gol por R$ 2.200,00 sem saber que era furtado, conforme as investigações da Polícia.

O veículo foi furtado no dia anterior, 22 de agosto, em frente do prédio onde o proprietário mora. Ele registrou um boletim de ocorrência. No final da noite daquele mesmo dia 22, o carro já era anunciado no site, inclusive com fotos.

O filho do ajudante de pedreiro resolveu comprar o carro para que ele e o pai pudessem usar como locomoção para o trabalho.

Pai e filho fizeram contato, por celular, com a pessoa que postou o anúncio e a negociação aconteceu no pátio do posto de combustíveis do quilômetro 99 da Rodovia Anhanguera, em Campinas.

Na manhã do dia 23, já com o carro, pai e filho fizeram uma pesquisa e descobriram que o veículo tinha queixa de furto. Então, tentaram contato com o celular da pessoa que anunciou no site e não conseguiram.

No porta luvas do carro foi achado um cartão com o nome e telefone de um pintor de paredes.

Pai e filho ligaram para o pintor que disse que o carro lhe pertencia e tinha sido furtado. Eles não acreditaram.

O dono do veículo exigiu que devolvessem o carro. Pai e filho alegaram que somente devolveriam mediante ressarcimento do valor de R$ 2.200,00.

Combinaram uma conversa no pátio do mesmo posto de combustíveis. Pai e filho foram em uma moto. O dono do carro apareceu acompanhado por um outro homem. Houve discussão. O carro não foi devolvido e nem o proprietário entregou dinheiro.

Porém, o proprietário do carro anotou a placa da moto e conseguiu achar o endereço dos dois que compraram o Gol.

Ainda na noite de 23 de agosto, o proprietário do carro furtado e um amigo foram até a casa daqueles que compraram. Pai e filho alegaram que já tinham “dado um fim” colocando fogo no carro.

Houve nova discussão e Lucas foi assassinado pelo dono do veículo – que não conseguiu recuperar o carro. O filho do ajudante de pedreiro não foi baleado porque a arma emperrou.

O autor do disparo e seu acompanhante fugiram.

O IML (Instituto Médico legal) em autópsia revelou que o tiro entrou “na região frontal esquerda” acima do olho “transfixando o osso” e saiu na parte de trás esquerda da cabeça.

Lucas era natural de Casa Branca, município do Interior de São Paulo, onde nasceu dia 6 de junho de 1.970. Deixou esposa e três filhos.

Os investigadores Eder e Paulo de Tarso, da equipe Jaguar 4, da Delegacia de Homicídios, começou a investigar desde o dia do crime. Fizeram pesquisas, diligências, perícia em celulares autorizada pela Justiça e identificaram os envolvidos.

“O autor confessou ter atirado, porém, alegou legitima defesa. Disse que tirou a arma das mãos comprador do carro e atirou. É uma pistola semiautomática de calibre 380. O filho da vítima negou que o pai estivesse com arma e contou que foi o dono do carro que chegou armado”, disse o delegado com base nas investigações e depoimentos.

Segundo o delegado, o acusado entregou a arma e foi feito teste balístico no Instituto de Criminalística que comprovou ser a arma do crime (foto).

 

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